Postado por em 29 jan 2018

Estudo oferecido no GFEIE Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Estêvão, em 29-01-2018

Áudio do estudo (mp3) – Simplicidade e pureza do coração

Folheto distribuído por ocasião do Estudo (PDF) – Simplicidade e pureza do coração

Simplicidade e pureza do coração

Procurando algo a dizer sobre o tema, encontrei um diálogo de Francisco de Assis com Frei Leão que pode nos parecer bem interessante para este estudo.

Começa assim a interlocução entre os dois:

Francisco pergunta a frei Leão: Irmão, sabe acaso o que é a pureza de coração?

Responde-lhe o frei: É não termos falta alguma de que nos acusemos.

Francisco acrescenta, percebendo a tristeza de frei Leão: porque temos sempre alguma coisa de que nos acusar.

Leão concorda.

Oferece então Francisco uma reflexão muito interessante a respeito do que deveria ser ter puro o coração.

Não dever preocupar-se tanto com a pureza da própria Alma e sim voltar o olhar para Deus. Ainda somos imperfeitos e é um sentimento humano compreensível, mas não deveríamos deixar que a distância que existe entre nós e Deus acarrete tristeza e insegurança.

Precisamos elevar o nosso olhar para mais alto.

O coração puro é aquele que toma profundo interesse pela própria vida em Deus.

Sugere esvaziar-se da insegurança e fragilidade interior e vibrar na alegria em Deus. Esse vazio ocorrido em nós, ao aceitarmos Deus, abrirmo-nos à Sua plenitude, é preenchido pela presença inefável do Pai e Criador.

Não devemos guardar o que nos pesa, inclusive as próprias falhas.

O nosso desejo de perfeição muda em um simples e puro querer de Deus. (1)

A partir do momento em que temos consciência dessa necessidade e buscamos mudar nossas atitudes, tentarmos identificar a presença de Deus em nós. Essa busca, em razão das fragilidades que ainda se mantêm em nós, precisará ser constante – abrirmo-nos à Sua plenitude e deixarmo-nos preencher pela Sua presença.

Quando Jesus disse aos discípulos: “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o Reino de Deus é para os que se lhes assemelham. – Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.” (Mc 10:13-16), faz despertar em nós o interesse em compreender a essência das palavras do Mestre.

Tomando como referência as reflexões de Francisco de Assis, poderemos interpretar as palavras do Mestre dizendo que uma criança, ainda em sua inocência, frágil, simples e humilde, tem puro o coração. Deixa-se ser preenchida do que lhe podemos oferecer. É nossa responsabilidade saber proporcionar o que lhe é útil e necessário ao seu desenvolvimento intelectual, moral e espiritual.

A partir do início do seu desenvolvimento, suas ideias tomam gradualmente impulso. Não obstante ser um Espírito com vivências anteriores e experiências que lhe proporcionaram conhecimento, emoções agradáveis ou não, encarna com a bênção do esquecimento, as ideias que lhe formam o caráter acham-se ainda adormecidas.

Devemos então, como responsáveis pelo encaminhamento desse Ser, a nós legado pela divina providência, preencher esse vazio (na acepção de Francisco de Assis) com os ensinamentos de Jesus – deixar irem a Ele as criancinhas -, mostrar-lhes o aceitar Deus, fazê-los conhecer o Seu amor e sentir a Sua presença em suas vidas.

É o momento mais oportuno para esse proceder, enquanto seus instintos se conservam moldáveis, mais acessíveis aos ensinamentos que lhes possam transformar o caráter e facilitar sua evolução. Torna mais fácil a tarefa, o compromisso assumidos pelos pais ou responsáveis.

O transitar pelo período da infância, temporariamente vestido da roupagem da inocência, reflete a sabedoria divina em ação. E Jesus demonstra, na sua orientação a seus discípulos, conhecer e aplicar bem o que o Pai lhe confiou para nos ensinar nesse processo de aprendizado,  não só do nosso Ser como também daqueles que fazem parte de nossa jornada,  nossos companheiros nesse momento na eternidade.

Há um texto de Emmanuel em que nos fala precisamente sobre essa orientação de Francisco de Assis, quanto a deixar-se preencher pela presença de Deus. Assim nos fala o mentor de Francisco Cândido Xavie r (2):

Pureza

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Jesus (Mt 5:8)

“Estudando a palavra do Mestre divino, recordemos que no mundo, até hoje, não existiu ninguém quanto ele, com tata pureza na própria alma.

Cabe-nos, pois, lembrar como Jesus via no caminho da vida, para reconhecermos com segurança que, embora na Terra, sabia encontrar a Presença divina em todas as situações e em todas as criaturas.

Para muita gente, a manjedoura era lugar desprezível, entretanto, Ele via Deus na humildade com que a natureza lhe oferecia maternos colo e transformou a estrebaria num poema de excelsa beleza.

Para muita gente, Maria de Magdala era mulher sem qualquer valor, pela condição de obsidiada em que se mostrava na vida pública; no entanto, Ele via Deus naquele coração feminino ralado de sofrimento e converteu-a em mensageira da celeste ressurreição.

Para muita gente Simão Pedro era homem rude e inconstante, indigno de maior consideração; contudo, Ele via Deus no espírito atribulado do pescador semianalfabeto que o povo menosprezava e transmutou-o em paradigma da fé cristã, para todos os séculos.

Para muita gente, Judas era negociante de expressão suspeita, capaz de astuciosos ardis em louvor de si mesmo; no entanto, Ele via Deus na alma inquieta do companheiro que os outros menoscabavam e estendeu-lhe braços amigos até o fim da penosa deserção a que o discípulo distraído se entregou, invigilante.

Para muita gente, Saulo de Tarso era guardião intransigente da Lei antiga, vaidoso e perverso, na defesa dos próprios caprichos; contudo, Ele via Deus naquele espírito atormentado, e procurou-o pessoalmente, para confiar-lhe embaixada importante.

Se purificares, assim o coração, identificarás a presença de Deus em toda parte, compreendendo que a esperança do Criador não esmorece em criatura alguma, e perceberás que a maldade e o crime são apenas espinheiro e lama que envolver o campo da alma – o brilhante divino que virá fatalmente à luz…

E aprendendo e servindo, ajudando e amando passarás, na Terra, por mensagem incessante de amor, ensinando os homens que te rodeiam a converter o charco em berço de pão e a entender que, mesmo nas profundezas do pântano, podem surgir lírios perfumados e puros para exaltar a glória de Deus.”

(1) Fonte de consulta – www.ofmscj.com.br/?p=2559

(2)  Em o livro Religião dos espíritos, FEB, Cap. Pureza

Em o livro Aprender com o Mestre – Sobre o Amor II … em elaboração

Um Comentário

  1. 29-1-2018

    Texto primoroso! Ótima reflexão para analisarmos nossa responsabilidade: se soubemos proporcionar o útil e necessário ao desenvolvimento intelectual, moral e espiritual das crianças que foram colocadas sob nossa guarda, conforme tão bem explicado no texto da amiga Elda Evelina. Parabéns!

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