Posted por em 26 mar 2019

Estudo oferecido na Federação Espírita do Distrito Federal-FEDF, em 26-03-2019

Áudio do estudo (mp3) – Hegemonia de Jesus

Folheto distribuído ao público (PDF) – Hegemonia de Jesus-FEDF-folheto


Quem é esse Ser de luz e de amor a quem damos tanta importância e que nos fala diretamente ao coração?

Diz-nos Emmanuel, em A Caminho da Luz: “Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.

Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos.

A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção.”

O Evangelho de João contempla, no capítulo 1:

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.

10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.

Diz-nos o Livro dos Espíritos:

“625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?

“Jesus.”

Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.”

Diante dessas afirmativas podemos concluir, sem qualquer dúvida, o quão importante é o Ser Jesus, o Cristo, na vida de todos nós.

Ele se dedica desde há mais de 4,6 bilhões de anos para que tenhamos a oportunidade de aqui estar para aprender e evoluir. Início ao processo de ascensão em direção ao Pai, que nos acolherá em Seu regaço quando atingirmos a perfeição necessária para tanto.

Certamente é a maior prova do seu amor por todos nós. Um Ser de sua magnitude espiritual cumprindo uma missão de dedicação plena, cuja meta é ensinar-nos, promover a nossa evolução espiritual e tornar possível o nosso encontro com Deus em um Mundo Celestial.

Diz-nos também João, no capítulo 6 de seu Evangelho:

38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

39 E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia. (…)

40 Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

45 Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.

Como podemos interpretar essa passagem? O que poderia significar a expressão: “E serão todos ensinados por Deus.”?

Diz-nos Joanna de Ângelis que, durante nossa caminhada espiritual, vamos paulatinamente tomando consciência da realidade do nosso Ser e, assim, promovemos nossa busca por níveis mais elevados de evolução. Na medida em que encontramos nossos caminhos, outros se descortinam à frente, fortalecendo e desvelando horizontes até então desconhecidos. (1)

Em complemento, oferecemos textualmente uma percepção importante para todos nós, citando Joanna de Ângelis no que poderemos entender como mais uma percepção do legado do nosso Modelo e Guia Jesus, o Cristo:

“O Homem-Jesus sabia-o, em razão de haver atingido anteriormente o mais elevado nível de evolução, que O destacava das demais criaturas terrestres, apresentando-se como o Modelo e o Guia a ser seguido. Criado por Deus, e havendo alcançado o excelente estágio de progresso e de iluminação em que se encontrava, aspirava para todos os indivíduos a mesma posição, tendo, por Sua vez, o Pai como exemplo e foco a ser conquistado.

Sendo o progresso infinito, não se contentou no que havia adquirido, detendo-se em improfícuo e absurdo repouso, por entender que entre Ele e o Criador medeia um verdadeiro abismo de evolução, tanto quanto um outro vão desafiador existe entre os seres terrestres e a situação que Ele desfruta na escala de valores morais e espirituais.

Assim sendo, propôs que ninguém se satisfaça com o já conseguido, antes cresça, busque, entregando-se ao esforço incessante da libertação dos atavismos iniciais, e ascenda no rumo da Grande Luz, tendo-O por condutor seguro.

Antes, porém, de ser empreendida por alguém essa busca, torna-se necessário que saiba o que deseja e para qual finalidade o almeja. (…)

Desse modo, a lição proporcionada por Jesus em grande desafio à criatura humana permanece como diretriz que não pode ser retirada do comportamento espiritual do ser: Buscai e achareis (Mt 7:7)” (1)

Se terminássemos aqui nossa narrativa, já teríamos informações relevantes para considerarmos o tema como completivo, no que toca ao legado da criação do orbe e do processo de surgimento e evolução da vida em suas mais variadas expressões. Deixar a cargo do imaginativo de cada um preencher os espaços com informações complementares, sejam as oferecidas pelos evangelistas, sejam aquelas disponibilizadas pelos Espíritos amigos ao longo dos tempos.

Precisamos compreender que ao longo dos milênios evoluiu o corpo, evoluiu a capacidade intelectual, assim como o adiantamento moral, tudo integrado ao comando maior do Mestre.

Antes mesmo da vinda do Cristo, na personalidade Jesus, houve vários Espíritos (encarnados ou instrutores espirituais) que acolheram como missão o divulgar os ensinamentos do nosso Mentor maior, identificado pelo evangelista João como “a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.”

Importante trazer algumas particularidades que reforçarão nosso entendimento a respeito do “Legado de Jesus”. Para muitos de nós, ainda se faz necessário que os esclarecimentos sejam mais detidos nos acontecimentos, somos ainda “meninos espirituais” (2) como nos diz Emmanuel.

O Ser Crístico, Espírito puro, que tomou a personalidade Jesus enquanto entre nós há dois mil anos, está conosco, como Mentor, Modelo e Guia espiritual (3), desde seu gerenciamento na formação do Planeta.

Diante desse fato, poderemos inferir que, ao longo dos milênios da Humanidade Terrena, tudo o que nos foi oferecido como conhecimento esteve sob a gerência de um plano espiritual sob coordenação do Cristo (Jesus, como o conhecemos). Terão sido aqueles que tomaram para si a missão de divulgar os ensinamentos, ao longo desse tempo, intuídos por seus discípulos, ou representantes delegados, para abrir véus do conhecimento visando o aprimoramento intelectual e moral da Humanidade terrena.

Esclarecimentos dos Espíritos (4):

  1. Só por Jesus foram reveladas as leis divinas e naturais? Antes do seu aparecimento, o conhecimento dessas leis só por intuição os homens o tiveram?

“Já não dissemos que elas estão escritas por toda parte? Desde os séculos mais longínquos, todos os que meditaram sobre a sabedoria hão podido compreendê-las e ensiná-las. Pelos ensinos, mesmo incompletos, que espalharam, prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis divinas escritas no livro da Natureza, possível foi ao homem conhecê-las, logo que as quis procurar. Por isso é que os preceitos que consagram foram, desde todos os tempos, proclamados pelos homens de bem; e também por isso é que elementos delas se encontram, se bem que incompletos ou adulterados pela ignorância, na doutrina moral de todos os povos saídos da barbárie.”

Nessa passagem, em o Livro dos Espíritos, fica claro para todos nós o que por vezes poderíamos vir a questionar de o conhecimento, ao longo dos milênios, ter sido oferecido pelo Cristo, por nós nominado como Jesus. Dever-se-ia a eventual incompletude ou inadequação de qualquer saber oferecido anteriormente. Vale ressaltar que qualquer equívoco terá sido pela ignorância (falta de conhecimento adequado para conclusões alcançadas) daqueles que foram intuídos e não compreenderam devidamente o que lhes fora oferecido.

Grande é nossa responsabilidade nesse caminhar espiritual. Somos coparticipantes nesse processo. Tão mais nos detivermos nesse comprometimento, mais próximos estaremos de nossa meta evolutiva. Não só como individualidade, como também, e mais importante, no processo evolutivo da  Família Espiritual.

Diz-nos Jesus (Mc 16:15):

“Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura.”

No momento em que Jesus instruiu os discípulos para essa missão, estava também instruindo a todos nós. Somos coparticipantes desse processo, como agentes cocriadores e propagadores da Boa Nova.

Quanto ao nosso papel no compartilhar, devemos considerar, nesse contexto, que todo conhecimento inspirado e compartilhado não se deteria somente no nosso ambiente terreno, considerando que todos nós assumiremos novas personalidades, ao longo dos milênios de nossas existências, como espíritos. Iremos “navegar” por outras paragens espirituais e materiais partilhando, em outras Moradas do Pai, todo o saber acolhido.

Não somos Espíritos com existência restrita em uma só dessas Moradas, nosso caminhar evolutivo desdobra-se por outros mundos e paragens espirituais e, no decorrer dessa jornada, temos como meta, como missão, esse compartilhar sendo agentes atuantes na evolução, não só restrita ao nosso orbe. Devemos conscientizarmo-nos da extensão de nossas atribuições como aprendizes comprometidos com o papel de discípulos e, em um futuro promissor, como apóstolos do Mestre.

Para sermos agentes cocriadores e propagadores da Boa Nova, teremos de acolher os ensinamentos maiores em nossos corações tornando-os explícitos em nós através de nossas palavras, pensamentos e ações. Sendo exemplos vívidos do Evangelho, como aguarda-nos Jesus, o Cristo.

Ele nos convida a todo o tempo a essa tarefa. No entanto, precisamos estar disponíveis para “ouvir” o que tem a nos dizer.

Nossas vidas com Cristo.

O aprender com Deus é vir a conhecer os fundamentos das Leis Universais, os ensinamentos trazidos por Seu enviado  ̶  Jesus, o Cristo  ̶  e aplicá-los em nossas vidas.

Inserimos aqui o conceito de Fé.

A palavra Fé, que tem sua origem do Hebraico “emuná”, traz em si vários significados como: veracidade, sinceridade, honradez, retidão, fidelidade, lealdade, seguridade, crédito, firmeza e verdade. Conhecendo o sentido que essa palavra insere podemos compreender bem as palavras de Paulo em sua carta aos Hebreus: “sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe”. (Hebreus 11:6).

Diz-nos Kardec na apresentação do Evangelho Segundo o Espiritismo: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.”

Percebemos, por essas afirmativas, que para termos fé verdadeira se faz necessário que tenhamos conhecimento, pois só assim teremos condições de demonstrar nossa confiança na forma como Kardec nos apresenta.

O conhecimento se dá com a busca pelo aprendizado. No que diz respeito ao Evangelho do Cristo, é buscar entendimento sobre os ensinamentos trazidos pelo enviado do Criador, com a missão de nos esclarecer sobre as verdades maiores – “Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.” (João 6:45)

Precisamos aprender com Jesus, o Cristo, isto é sermos ensinados por Deus. Palavras de Jesus: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.”(João 6:38)

 No entanto, não basta conhecer o Evangelho, é preciso aprender a essência dos seus ensinamentos. Mais ainda, não só deter profundo conhecimento das passagens inseridas no Evangelho, é determinante que façamos desses ensinamentos nossa diretriz de vida. Praticar as orientações traçadas por Jesus e exemplificadas em todas as suas atitudes.

Emmanuel alerta-nos sobre as diferentes maneiras de nos apresentarmos perante Deus e perante o mundo que nos cerca. Quando estamos em prece, colocamo-nos com brandura e entendimento buscando a misericórdia do Pai, aguardando tolerância e Amor diante das nossas necessidades. No entanto, quando estamos nos nossos afazeres do dia-a-dia, ficamos invigiliantes nas relações interpessoais, nem sempre de forma branda ou fraterna. Diz-nos Emmanuel textualmente:

“Urge, porém, reconhecer que Deus está em toda parte, e, em toda parte, é forçoso comportarmo-nos como quem se sabe na presença Divina.

Tanto se encontra o Criador com a criatura na oração quanto na ação. (…)

De que nos valeria apresentar uma fisionomia doce a Deus e um coração amargo aos companheiros do cotidiano, se todos eles são também filhos de Deus quanto nós?” (5)

O importante, portanto, é tornar a prática desses ensinamentos um caminhar de compaixão, de entendimento, de respeito, de caridade, de amor.

É verdade que, de início, essa prática se dará como um exercício de disciplina e determinação, tendo em vista o nível evolutivo em que ainda nos encontramos. Mas o exercício constante dessa prática fará com que internalizemos os conceitos de tal forma que, a partir de determinado momento, nossas ações serão coerentes com os ensinamentos evangélicos de forma natural, espontânea.

Esse nível de conscientização do aprendizado passa, inevitavelmente, pelo conhecimento de si mesmo. Ao darmo-nos conta da essência do Evangelho do Cristo passaremos a nos observar melhor – comportamento, valores, conceitos, emoções, sentimentos – e identificaremos em que ainda precisamos melhorar para efetivamente termos coerência entre o que estamos a aprender e o nosso agir. É a efetivação do aprendizado em nossas vidas.

Poderemos então afirmar que conseguimos ser ensinados por Deus e estamos com Jesus, o Cristo.

Com relação ao contido no Evangelho de João: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.” (João 6:39), como  podemos interpretar?

Sabemos que são esses os níveis de evolução dos mundos habitados: Mundo Primitivo; Mundo de Expiação e Provas; Mundo de Regeneração; Mundos Ditosos; e Mundos Celestes ou Divinos.

A interpretação que podemos inferir dos ensinamentos doutrinários, com relação ao referido por João: “mas que eu o ressuscite no último dia.” (João 6:39), é o de quando estaremos prontos para o encontro com Deus no Mundo Celeste, ou Divino. É quando teremos aprendido e exercido os ensinamentos oferecidos por Deus, através do Cristo. Estaremos plenos para esse encontro.

Nós queremos ser felizes, mas acreditando que a felicidade está nas coisas materiais. Precisamos nos conscientizar de que a felicidade verdadeira está na espiritualização de nossa Alma, através do aprendizado constante e do exercício desse aprendizado.

Nós almejamos a libertação dos males, das dificuldades, do sofrimento. Lembremo-nos do que Jesus nos disse, como escrito em João: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” (João 8:32). Conhecer a verdade é deixar-se ensinar por Deus, através de Jesus, o Cristo.

(1)       Capítulo A busca, em o Jesus e o Evangelho, segundo a psicologia profunda, Joanna de Ângelis, por Divaldo Franco

(2)       Capítulo Meninos Espirituais, do livro Caminho, verdade e vida, Emmanuel, por Chico Xavier.

(3)       Livro dos Espíritos, Questão 625

(4)       Livro dos Espíritos, Questão 626

(5)       Capítulo Entre Deus e o próximo, do livro Alma e Coração, Emmanuel, por Chico Xavier

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