Posted por em 2 jul 2019

Estudo oferecido na FEDF, Federação Espírita do Distrito Federal, em 02-07-2019

Folheto distribuído ao público (PDF) –    Coisas mínimas – FEDF

Áudio do Estudo (mp3) –  Coisas Mínimas


A maioria de nós não se comprometeu, espiritualmente, para grandes missões. Ainda está na fase do aprendizado e preparação.

Há aqueles cuja missão é auxiliar seu companheiro ou companheira de jornada a cumprir missões. São os trabalhadores que oferecem suporte para que os missionários possam cumprir suas tarefas. Como? Apoio fraterno, compreensão, tolerância, paciência…

Até mesmo apoio financeiro.

Acolher essas tarefas pode ser resultado do reconhecimento de erros cometidos, provas, expiações, resgates e até mesmo reparações.

Compromissos assumidos para cumprimento de metas.

Muitos ficam na retaguarda, nem percebem estar cumprindo missões. Creem não estar fazendo algo de expressão. No entanto, pelo contrário, são parte de processos de realizações importantes.

Estas realizações começam com pequenas ações que fazem parte do aprendizado. Precisamos estar preparados para cumprirmos metas maiores. Muitas destas, talvez possamos afirmar todas, exigem condições consolidadas através de séculos de provas e expiações. Até mesmo para que possamos compreender a necessidade de realizarmos algo em prol do próximo, de uma sociedade, ou até mesmo de um bem maior.

São as coisas mínimas que poderão proporcionar oportunidades e sustentação para aqueles que já estão preparados para realizações mais visíveis, expressivas.

Há comportamentos no dia-a-dia que consideraríamos coisas mínimas. No entanto, são atitudes esperadas em todo cristão. Condutas coerentes com as recomendadas pelo Mestre em seus ensinamentos.

Encontramos no livro Jesus no Lar, no capítulo Regra de ajudar, quando Jesus responde ao discípulo João quanto ao como proceder de forma digna diante do próximo. Aqui algumas delas:

amar o companheiro de jornada tanto quanto gostaria de ser amado por ele;

– quando quiser ajudar o próximo, recordar que muitos de nós conhecem a origem das próprias dificuldades e necessitam mais de amizade e entendimento do que de medicação ou corrigenda;

– todos têm problemas difíceis a resolver, precisamos aprender a cortesia fraternal para com os companheiros de jornada;

– expressarmo-nos não só com a saudação gentil, mas também com o sincero propósito de servir;

– ao ser procurado por alguém, demonstrar carinhoso interesse e mostrar-se um ouvinte interessado e atencioso, mantendo-se sereno sem alterar a voz. A solução de assuntos graves não dependem da intensidade do tom nas palavras;

– não só louvar quem trabalhe, buscar também reconhecer no outro qualidades que por certo detenha, ainda mesmo se lhe pareça ocioso e inconveniente;

– fugir ao pessimismo mantendo, não obstante, prudência diante de situações que mereçam cuidadosa observação. A tristeza inoperante não é útil, sempre deveremos mostrar bom ânimo diante da vida;

– expressar sempre um gesto de bondade espontâneo, ainda que nos pareça impossível, será de grande ajuda em momentos difíceis;

– fazer o possível em ser pontual, o companheiro de jornada merece a nossa atenção e respeito;

– ser sempre grato por tudo o que se recebe, sejam as pequenas ou grandes coisas, “se o Sol aquece a vida, é a semente de trigo que fornece o pão.” (1);

– deixar que o movimento do Amor, bênção de Deus em nossas vidas, perpasse nossos corações em direção a tudo e a todos com quem vivenciamos essa experiência a que damos o nome de vida;

– ser instrumento de felicidade e elevação para aqueles com quem partilhamos esse instante na eternidade… em qualquer momento e em qualquer lugar.

Acrescenta o Mestre que o recurso para nos proporcionar condições para cumprir essas máximas é a Boa Vontade.

Refletindo sobre essas propostas durantes alguns dias pudemos observar como nos surgem inúmeras oportunidades no dia-a-dia e não prestamos atenção:

– um olhar triste que por vezes percebemos em alguém e deixamos passar a oportunidade de acolher a pessoa em nossos corações, ainda que em uma breve prece e envolvimento com sentimento de amor;

– uma lágrima que poderíamos secar com um abraço e uma palavra amiga;

– quando procurados por alguém que precisa falar sobre algo, ser um ouvinte atencioso, um ombro amigo, sem fazer qualquer julgamento;

– podermos ser ternos e gentis a qualquer momento, necessário tão somente estarmos atentos às oportunidades que nos surgem, por vezes de forma inesperada;

– respeitar a opinião do companheiro, ainda que diferente da nossa, reconhecendo o direito de cada um a pensar como melhor lhe aprouver;

– aprender a sentir o que um olhar, um gesto poderá estar a nos dizer o quanto de dor estaria a fazer sofrer o coração de alguém que está ao nosso lado e tentar ser o bálsamo a aliviar a sua dor.

Assim tantas outras oportunidades que deixamos passar por não nos colocarmos de forma compassiva para com aqueles que experienciam conosco esse momento tão especial em que Deus nos oportuniza aprendermos, evoluirmos, acertarmos arestas com nós mesmos e com aqueles que partilham conosco o que denominamos vida.

Li certa vez a Lenda do Floquinho de Algodão. A história tem como pano de fundo uma pequena aldeia onde não havia dinheiro. Tudo o que era produzido, cultivado, era trocado entre eles. Quando alguém não tinha um bem material para oferecer em troca por algo, oferecia seu carinho. Simbolicamente esse carinho, que significava a Amizade, era representado por um floquinho de algodão. Vale a pena conhecer a história.(2)

Nós, espíritas, já conhecemos sobre o trabalho de Francisco Cândido Xavier. Trabalhador incansável, dedicado, amoroso e acolhedor. Espírito que procurou seguir os ensinamentos do Mestre Jesus, orientado pelo seu mentor Emmanuel.

Gostaria de trazer mais um Espírito muito dedicado ao trabalho junto ao próximo, que nos apresentou exemplos maravilhosos durante sua vida de dedicação, empenho e, principalmente, muito amor. Também uma seguidora do Cristo.

Referências sobre o trabalho de Madre Tereza de Calcutá, trazidos em o livro “5 minutos com Deus e Madre Tereza” (3)

Amor em ação

“Se, às vezes, os nossos pobres morrem por privações, não quer dizer que Deus não cuidou deles, mas é que vocês e eu não lhes demos aquilo que deveríamos dar, não fomos para eles instrumentos de amor nas mãos de Deus, para oferecer-lhes pão, roupas etc. Não o reconhecemos, quando mais uma vez, Cristo veio a nós escondido sob as aparências de homem faminto, do homem solitário, da criança sem casa em busca de um refúgio. (…)

Mil palavras não valem um gesto

Conta-nos Madre Teresa de Calcutá, em o texto “Mil palavras não valem um gesto” (7) que, logo no início de sua vida como missionária, preocupada com a questão da fome no mundo, resolveu participar de um congresso em que a proposta era encontrar uma forma de tornar possível, em quinze anos, haver comida suficiente para todos.

Ela foi e, chegando lá, constatou haver muitos interessados neste mesmo tema. No entanto, antes encontrara um homem demonstrando estar faminto e bem debilitado. Leva-o para casa, dá-lhe de comer e cuida dele. No entanto, ele viera a falecer tal sua fragilidade.

Ela referiu-se, primeiramente, a esta passagem em Mateus: “Eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber, eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim, na prisão, e fostes visitar-me.” (Mateus 25;35 e 36)

 Depois concluiu sua reflexão sobre o que percebera daquela experiência: (7)

“Vocês percebem a diferença? Não penso nunca que serei responsável pelas grandes multidões. Preocupo-me com cada pessoa; não posso amar, de fato, senão uma pessoa por vez. Somente uma, uma, uma.

Vocês se aproximam de Cristo aproximando-se uns dos outros. Jesus disse: “todas as vezes que fizestes isso a um destes pequeninos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 25:40).

Vocês podem começar assim… Eu comecei assim, recolhendo uma pessoa que estava morrendo na rua. Talvez se não tivesse recolhido aquela única pessoa, não teria nunca recolhido outras 42 mil. Basta começar… uma, uma, uma.”

Voltando à nossa reflexão – Coisas mínimas, de Emmanuel. Creio que este texto tem muito da reflexão oferecida pela Madre Teresa de Calcutá.

Não adianta querermos resolver todos os problemas do mundo de uma vez só. Não somos capazes dessa tarefa hercúlea.

O que está ao nosso alcance? Fazer uma coisa de cada vez.

Nós não devemos ter como metas resultados que vão além das nossas capacidades e competência de concretização.

Por qual razão? podem perguntar. A resposta é simples, porque não vamos conseguir. O mais provável é sentirmo-nos frustrados. Perderemos a vontade de realizar por sentirmo-nos incapazes.

Devemos nos propor pequenas metas, possíveis de serem atingidas.

A partir do momento em que consigamos alcançar um resultado positivo na programação almejada, sentimo-nos à vontade para projetar uma nova meta, uma realização.

Como no contexto da história contada pela Madre Teresa. Fazendo bem uma coisa de cada vez, com determinação e bons propósitos. Ela alcançou quarenta e dois mil atendimentos ao longo do seu trabalho, até aquele momento em que conta sua história.

No caso de estarmos seguindo o Evangelho e buscando apoio emocional e espiritual, mais uma vez podemos nos lembrar da Madre Teresa.

Um certo dia em que tratava feridas e acalentava vários mendigos bem frágeis em condições mesmo deploráveis, alguém lhe perguntou como ela conseguia realizar com tanto prazer aquele trabalho tão difícil. A resposta foi muito simples e direta, ela disse que, ao acolher e auxiliar aquelas pessoas, via nelas o próprio Senhor, o Mestre Jesus.

Qualquer coisa que façamos, tenhamos como referência este Ser Crístico a quem damos o nome de Jesus, por ter sido a personalidade que Ele assumiu ao encarnar no nosso Planeta.

Sejamos felizes, não tenhamos preocupação com a eternidade, nem de tentarmos ser pessoas melhores de uma só vez.

É devagar, mas sempre.

Muita paz.

(1)      Regra de Ajudar, Jesus no Lar, Neio Lúcio, Chico Xavier

(2)      Lenda do Floquinho de algodão – http://www.donamaricotafeliz.com.br/2015/03/a-lenda-do-floquinho-de-algodao.html

(3)      5 minutos com Deus e Madre Tereza, organizado por Roberta Bellinzaghi, Edição Paulinas

Link para o vídeo Espinho não fere a flor, de Armando Reis, pela Banda Nova Luz – https://youtu.be/wssaUohiQ8E

Link para a parte referida(no áudio) da palestra de Rossandro Klinjey –  https://youtu.be/pWKIxk8nNtE

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