Posted por em 17 set 2020

Estudo oferecido em reunião virtual ao grupo GEICAM, em 17-09-2020

Folheto com as reflexões sobre o tema (PDF) – Aparencias-GEICAM-17-09-20-folheto

Vídeo com as reflexões sobre o tema – https://youtu.be/_Zdpqw30fBE

Como podemos referir-nos a nós mesmos?

Nós nos conhecemos?

De que maneira reagimos em determinadas circunstâncias?

Costumamos estar atentos à nossas reações? Sabemos nos antecipar e controlar nossas atitudes ao sermos observados, indagados sobre algo que nos incomoda ou que de alguma forma fere sentimentos.

Conseguimos nos manter equilibrados emocionalmente ou criamos uma situação incômoda para driblar e, de certa forma, fugir para não termos de enfrentar?

Quem sou eu? Como me expresso ao mundo, às pessoas, mesmo àquelas que me são mais caras?

Eu uso máscaras, de acordo com as circunstâncias… ou consigo ser autêntico, ainda que seja comigo mesmo?

Quando vivemos em um mundo de aparências, a cada situação em que nos expressamos de acordo com o que imaginamos ser o melhor, em razão das circunstâncias ali apresentadas, criamos um bloqueio ao nosso redor. Uma barreira que vai se tornando cada vez mais densa, mais ampla, extensa. Vamos ficando mais e mais presos ao que externamos, de forma sutil ou explícita.

Vamos nos aprisionando a uma realidade que criamos para nos sentirmos confortáveis. Este conforto é ilusório, imaginário e conveniente de acordo com o momento e as circunstâncias que se apresentaram.

A cada nova situação precisamos nos adaptar, e talvez venhamos a nos perder, buscando sempre criar novo papel para nós.

Poderia acontecer algo assim com quem estivesse passando pela experiência comentada acima:

Minha vida começa a se apresentar desconfortável. Eu preciso me apresentar diferente, emocional, intelectualmente. Até mesmo minha indumentária precisa ser ajustada para ser coerente com o papel que creio precisar assumir nesse ou naquele lugar.

Ao poucos vou percebendo que não sou livre para ser quem sou. Na realidade, eu vou perdendo minha identidade original. Esta já se perdeu e eu nem sei mais qual teria sido. Vou me vestindo e desvestindo de papéis convenientes para manter interesses sociais, familiares e até mesmo pessoais, tendo uma percepção errônea dessa necessidade.

Perco a minha liberdade de ser quem eu sou. Na verdade, eu já não consigo identificar minha verdadeira personalidade, pois fui me deixando levar pelo interesse, pelas aparências. Pela busca de satisfazer interesses de outrem, não mais os meus.

Já nem sei se tive interesses verdadeiramente meus.

Eu me transformei em alguém que veste uma máscara, adaptada a esta ou àquela circunstância, a esta ou àquela pessoa que passou a ser mais importante para mim do que eu mesmo, pois eu mais satisfaço o que ela espera de mim do que realizo o que deveria ser importante para meu caminho pessoal. (1)

Descobri que essas barreiras que venho criando em torno de mim, como indivíduo, surgiram para serem vencidas, e assim, alcançar objetivos. Uma falsa vitória no mundo em que vivo. Pois eu, na verdade, fui me aprisionando e perdendo a verdadeira liberdade em me encontrar como realmente sou, no íntimo do meu Ser. Este que acabei abandonando no meio do meu caminho.

Bom seria eu me despertar desse quase pesadelo.

Resultou de eu não mais saber como seguir, como me comportar. Qual personalidade criei para viver no mundo à minha volta, se a cada momento eu me apresento de uma forma diferente para me adequar a esta ou àquela situação, para satisfazer a essa ou àquela pessoa, para atingir este ou aquele objetivo.

Descubro que eu não me considero capaz, ou não me considerei capaz de ser um vitorioso sendo eu mesmo, em qualquer que seja a circunstância.

Abandonei minha personalidade, que de início ia surgindo e se formando. Fui me transformando em várias personalidades convenientes e confortáveis, em um mundo ilusório de banalidades, de outras aparências.

Percebo, depois de um tempo fazendo análise sobre a viva que tenho vivido, que me tornei escravo de mim mesmo. Perdi a liberdade.

O que fazer?

Buscar minha origem, analisar o meu Ser, encontrar aquele que deixei na estrada e resgatá-lo.

Aprender a ser esse Ser… livre das amarras das aparências. (2)

Ao me reencontrar, pode acontecer de identificar mágoas, questões não resolvidas nesse passado.

Poderão parecer fantasmas a me amedrontarem. O que fazer para me libertar das imagens que por vezes possam surgir em minha mente?

Preciso me perdoar e limpar as pendências do que agora é passado.

Preciso reaprender a me amar.

No recôndito da minha Alma, buscar cada um desses fantasmas – erros que cometi – e pedir perdão. E, para perdoar, preciso encontrar o amor por mim mesmo. E, amando, amar os erros cometidos, libertando-os e encontrando a minha liberdade.

Começar a me sentir leve e livre. Assumir o meu verdadeiro papel, isento das pressões que o mundo à minha volta me impôs… não, não me impôs, eu permiti a mim mesmo ser envolvido pelas energias à minha volta.

Eu sou meu próprio dirigente. Não posso culpar o mundo, as pessoas.

Preciso assumir o controle do Ser que sou eu… Espírito imortal.

Livre, amoroso, desperto condutor da minha própria vida, à luz do Criador.

(1) “Muitas vezes precisamos de máscaras para poder vencer obstáculos no mundo em que vivemos. No entanto, precisamos prescindir delas para buscar nosso crescimento interior e encontrar nossa própria identidade.” Ritual do Renascer, no livro Arte em Cores, Formas e Letras, de Elda Evelina

(2) A Criança que fui chora na estrada – Fernando Pessoa

A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou

A vinda tem a regressão errada.

Já não sei de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim

O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.”

(3) “Amaremos a nós mesmos somente quando deixarmos de culpar os outros pelas nossas dores e desacertos e tivermos a coragem de perscrutar o íntimo, interrompendo o fluxo das projeções e fugas ainda ignoradas nas nossas atitudes.” Carl Jung

Sugestões de leitura:

Renovando atitudes – Hammed, por Francisco do Espírito Santo Neto, Cap. Aparências

Instrumentos do Tempo – Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier, Cap. Aparências

O Homem Integral – Joanna de Angelis, por Divaldo Franco, Cap. 2 Estranhos rumos, seguros roteiros – Homens-Aparência

Escutando sentimentos – Ermance Dufaux, por Wanderley S. de Oliveira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *