Postado por em 3 maio 2018

Estudo oferecido no Centro Espírita Paulo de Tarso, em 3 de maio

Folheto distribuído ao público (PDF) – Amor e renúncia

Folheto distribuído do estudo (mp3) – Amor e renúncia – folheto PDF

O estudo que teremos a seguir refere-se a um tema oferecido por Humberto de Campos (Irmão X), em o livro Boa Nova, psicografado por Chico Xavier.

Em certo momento da narrativa, Jesus explica a Pedro que precisamos valorizar a afeição a amigos. Proporcionar-lhes alegria, reconforto. Façamos de nossos corações como uma sala iluminada, acolhedora, oferecendo condições de tranquilidade e bem-estar. Criar situações em que se sintam ditosos.

Que nosso falar e fazer não sejam de pesares ou sombras. Sejam de luz e de esperança.

Os momentos que mais nos proporcionam alegrias, refazimento e beleza são aqueles em que demonstramos o nosso amor e satisfação para com aqueles que nos cercam.

Pedro, então, pergunta ao Mestre: “- E como deveremos proceder quando os amigos não nos entendam, ou quando nos retribuam com ingratidão?”

Diz Humberto de Campos: “Jesus pôs nele o olhar lúcido e respondeu:”

Aqui eu gostaria de fazer uma pausa para refletir sobre o olhar de Jesus…

Eu fico sempre a imaginar como seria o olhar do Mestre. Há muitos momentos nos Evangelhos em que se menciona ter Jesus olhado antes de falar algo.

Quando há uma menção ao olhar, tenho parado um pouco nas reflexões e na leitura, fecho meus olhos e tento imaginar esse olhar.

O que vejo em mente é algo de profundo, manso, determinado, intenso, misericordioso, amoroso, sábio.

Se lhe fazem uma pergunta, creio que ele olha de forma misericordiosa e compassiva. Até mesmo, se for o caso, de forma benevolente. Só o olhar que ele dirige a seu interlocutor já traz uma resposta. Acrescenta depois um ensinamento àquele que ainda não conseguiu alcançar o sentido de suas palavras e da mensagem que nos trouxe para aprendizado.

No caso de observar um desvio moral naquele que está ao seu lado, ou presente em uma situação qualquer, creio que seu olhar expressa uma certa estranheza, indulgência, misericórdia. Para, depois, oferecer uma repreensão ou, o que na maioria dos casos acontece, uma afirmativa que leve a pessoa a um pensar sobre a própria atitude. Aprender com a autorreflexão. Acrescenta um ensinamento profundo que, na maioria das vezes proporciona desconforto àquele a que se dirige. É o processo de autodescoberta diante da luz que nos ilumina a mente e nos faz ver a nós mesmos.

Fico a pensar que deveríamos sempre, em casos de termos dúvidas quanto ao nosso comportamento, imaginarmos o olhar que Jesus nos dirigiria naquela circunstância.

Bem, voltando ao tema que nos cabe refletir nesse momento.

A resposta de Jesus, a Pedro, começa assim: “… o amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas.”

Continua o Mestre alertando para o fato de que a essência do viver passa pela capacidade de sentir afeições, valorizar a compreensão do amigo.

No entanto, quando sentirmos a ausência da compreensão, ou até mesmo o comportamento de amigos transforme-se em atitude de adversários, importa que tenhamos a convicção de ter oferecido a eles o que de melhor tenhamos tido e sintamos alegria por termos feito essa opção em nossas vidas.

Lembremo-nos de que temos a compreensão Divina em todas as circunstâncias.

Diante dessas palavras de Jesus:

“Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. (Lc 14:26-27)

E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.”

Pedro volta a perguntar: “Mestre, como conciliar estas palavras tão duras com as vossas anteriores observações, relativamente aos laços sagrados entre os que se estimam?!”

O Mestre esclarece ao discípulo que, de forma alguma suas palavras devam ser interpretadas como uma recomendação a que se quebre os elos de família. Tão somente que a fé em Deus e a obediência às Leis Divinas deverão estar acima de todas as coisas.

Os laços de família e de amizade deverão estar gerenciados de acordo com os mandamentos maiores, Seja na relação de amor, respeito, como também, se assim for necessário, na abdicação de eventual obediência a eles, se esta puder vir a contrapor-se aos princípios da obediência às leis maiores.

Colocar o Reino de Deus acima de tudo, é esse o princípio do que dissera Jesus.

O seguir a Deus muitas vezes representa termos de renunciar a algo. O Ser Humano tem mais facilidade ao apegar-se, seja às pessoas, seja a alguma coisa. O aprender a fazer escolhas pressupõe privar-se da opção a que deveremos abdicar.

Compreender as Leis Divinas requer aprender a acolher a necessidade da renúncia, a privar-se de algo que poderá dificultar, ou até mesmo impedir, que prossigamos no caminho da elevação moral e espiritual; do aprendizado e do exercício ao cumprimento dos mandamentos – o amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Ou mais ainda, como deverá ser para nós algum dia em que estivermos mais conectados ao Pai, como o Mestre Jesus disse: “ ̶  Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei; que dessa mesma maneira tenhais amor uns para com os outros.”(Jo 13:34)

Faz-nos lembrar ainda o Mestre:

“Vós sois meus amigos, se praticais o que Eu vos mando. Já não vos chamamos servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco.” (Jo 15:14-15)

Temos à nossa disposição todas as orientações de que necessitamos para alcançarmos a graça de identificar e conhecer o Reino de Deus que, como Jesus nos disse: “ ̶  O Reino de Deus está no meio de vós.” Ou em algumas traduções: “ ̶  O Reino de Deus está dentro de vós.”(Lc 17:21)

Pode parecer estarem essas afirmativas divergindo entre si.

No entanto, ao interpretarmos a expressão “está no meio de vós” poderemos ter um olhar que nos leva a compreender que o “meio de vós” viria a ser compreendido como sendo o “dentro de vós” estando em nosso interior. Ou poderemos fazer outra leitura dessas afirmativas. O estar “dentro de vós” como sendo está dentro da Humanidade, bastando que o encontremos.

O importante é compreender e acolher o conceito de que o Reino de Deus, ou Reino dos Céus (também em algumas traduções) está à disposição, todo o tempo e a todos nós, indistintamente. Depende de cada um compreender tudo o que o Mestre nos ensinou, de tudo o que Ele ouviu do Pai e partilhou conosco, principalmente o amor, a origem de todos os ensinamentos maiores, base irrefutável das Leis Divinas que estão escritas em nossa consciência. (Livro dos Espíritos, Questão 621; “Onde está escrita a lei de Deus”, Resposta dos Espíritos ”Na consciência.”)

Lembrando ainda o texto de Humberto de Campos, em seu final, quando fala da missão do Mestre e o seu caminhar para o Calvário, “em maravilhoso e profundo silêncio.” Acrescenta: “Jesus atravessa as ruas de Jerusalém, como se estivesse diante da humanidade inteira, ensinando a virtude da renúncia por amor do reino de Deus, revelando ser essa a sua derradeira missão.”

Por falar em missão e renúncia, podemos proceder a uma reflexão ainda mais profunda. Como nos diz o evangelista João no capítulo primeiro de seu evangelho:

“Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. “ (Jo 1:2-3)

Também encontramos no livro A caminho da luz, Emmanuel, no capítulo A Gênese planetária:

“Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.

Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos.

A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção.”

Já Espírito Puro, o Cristo, que esteve entre nós na personalidade Jesus, acolheu a sublime missão oferecida pelo Criador, como mencionado por João e descrito por Emmanuel.  Uma demonstração de obediência, renúncia e amor.

Precisamos estar conscientes de que cada um de nós tem uma missão, seja singela, ou mesmo de expressão. Em quaisquer das circunstâncias, não há diferença de valoração entre elas, pois que representa uma tarefa de importância por trazer em seu bojo a realização de um trabalho. Como nos diz o Livro dos Espíritos, Questão 675: “Toda ocupação útil é trabalho.”

Nossa incumbência é estarmos atentos e buscar identificar o que poderá estar definido como missão na nossa trajetória encarnatória. Proceder de maneira a cumpri-la da melhor forma possível, e com amor, ainda que para fazê-lo exija de nós uma parcela de renúncia. É o como estaremos cumprindo nossa parcela do que nos pede o Mestre: “ ̶  Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei; que dessa mesma maneira tenhais amor uns para com os outros.”(Jo 13:34)

Em o livro Aprender com o Mestre – Sobre o Amor, Elda Evelina, Bookess Editora

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