Postado por em 17 jun 2018

Estudo oferecido no Grupo Fraternidade, em 17-06-2018

Áudio do estudo – Altar íntimo (mp3)

Folheto distribuído ao público – Altar íntimo (PDF)

 

“Temos um altar” Paulo Hb 13:10

Ao longo de séculos temos visto erguerem-se templos, suntuosos em sua aparência, expressando grandiosidade, bem como riqueza em adornos e exuberância de formas. Construções erigidas muitas vezes à custa de sacrifícios pessoais de seus trabalhadores braçais e cobrança de altos impostos para que fosse alcançado o intento a que se propunham – mostrar superioridade, magnificência.

Sua finalidade principal, no entanto, devera ser a materialização de um monumento de fé, como nos diz Emmanuel em o texto Altar íntimo (1), visando o nosso ajoelhar em “atitude de prece” e busca pela “inspiração divina”.

Por vezes, refletimos sobre todo esse dispêndio com a aparência dos monumentos quando tantos passam fome, encontram-se desabrigados. Emmanuel, em suas reflexões, considera que, mesmo quando a expressão de gratidão e amor ao Poder Celeste são mal conduzidos, deverão merecer nosso respeito.

Não obstante esse parecer, o mentor afirma que precisamos objetivar nossa evolução espiritual.

 A tarefa que nos cabe efetivamente é valorizarmos nosso altar íntimo – o coração –, apresentando nossas oferendas e sacrifícios como expressão do amor a favor do próximo, no trabalho que realmente nos cabe realizar.

Ser um trabalhador na seara da autotransformação. Buscar a edificação do templo do amor para acolhermos nossos irmãos de jornada terrena. Construir a paz dentro de nós e vibrar essa energia ao nosso redor, buscando neutralizar a expressão da discórdia e da violência. Ser pacífico e pacificador, como nos recomenda o Cristo nas Bem-aventuranças.

Tenhamos consciência do verdadeiro motivo de estarmos vivenciando esta experiência em corpo físico.

Sermos buscadores da luz e do amor. Não só isso, promovermos a exteriorização da luz e do amor internalizado para cumprirmos o que também nos pede o Mestre em a parábola da candeia:

“Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa.” (Mt 5:15.)

Sobre a referência ao altar, lembremo-nos de uma passagem no Velho Testamento:

 “Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um holocausto para o Senhor; (…)“ Ex 29:25

Com o advento do Espiritismo, podemos fazer uma interpretação interessante a respeito dessas práticas e seus significados hoje. Podemos mesmo afirmar que os sacrifícios não foram extintos, mas transformados.

Se antes sacrificavam-se os animais para expiação dos pecados, hoje o sacrifício é pessoal, individual.

Tomemos a vida do Mestre Jesus, o Cristo, como proposta de reflexão. Não exatamente a morte do corpo de que se utilizara para encarnar entre nós, mas toda a sua vida no planeta: as tarefas que tomou sobre seus ombros; as inúmeras viagens para propagar seus ensinamentos; as dificuldades que enfrentou junto a seus próprios pares, na Judeia. Sua dedicação, sem limites, aos pobres, doentes.  Os enfrentamentos com os fariseus para fazer prevalecer o bem, o respeito, o cumprimento das Leis em sua maior expressão. O empenho em defesa dos marginalizados daquela sociedade e dos menos favorecidos.

 Na prática do sacrifício sob esse novo enfoque, os sacerdotes somos todos nós. Os altares de pedras são os nossos corações. Os novilhos ou cordeiros a serem imolados nos altares são nossas paixões; nossos vícios; o egoísmo que ainda guardamos e a vaidade que expressamos; nossas ambições, hipocrisias. Enfim, nossos inimigos interiores que ainda nos mantêm na retaguarda da jornada em direção à nossa evolução.

Sentimentos menos nobres e comportamentos não condizentes com as Leis Divinas são a nossa sombra, na interpretação à luz da psicologia. Precisamos enfrentá-la, reconhecer sua existência dentro de nós e promovermos seu expurgo. Proporcionar a nós mesmos a oportunidade da libertação através da libertação desses adversários que ainda mantemos vivos em nós.

Devemos colocá-los como nossas oferendas nas piras ardentes e fazê-las serem consumidas pelo fogo purificador do amor, do perdão e do autoperdão.

Disse-nos o apóstolo Paulo em sua epístola aos romanos:

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12:1)

Compreendendo o sacrifício não com o flagelo do corpo, mas como instrumento de trabalho na seara do Mestre, na divulgação do seu Evangelho. Mais do que sob a forma de palavras ao proferir seus ensinamentos, como exemplos vivos com a maneira de ser de quem conseguiu alcançar o aprendizado dentro de si. Fazer de sua própria vida a arte do bem, do amor, do perdão. Ainda que não tenhamos alcançado essa condição em sua plenitude, pois que ainda somos aprendizes, mas estarmos na busca do exercício constante com disciplina e determinação.

Lembremo-nos da Lei do Progresso – tudo obedece ao processo evolutivo. Podemos dizer que o vocábulo Progresso significa ter em conta o processo pessoal no contexto da vida: conquista de novos horizontes, êxito, proficiência, evolução.

A nossa evolução moral, espiritual, depende do como buscamos o progredir em nossas vidas.

Há um instrumento, uma fonte de saber importantíssima, imprescindível para todos nós: Evangelho do Mestre, seus ensinamentos e exemplos de vida.  O progresso passa inevitavelmente pela autotransformação, pela proficiência, pelo êxito na nossa jornada terrena como seres em busca da evolução moral e espiritual. Esta conquista só se fará através do conhecimento e pela internalização dos ensinamentos evangélicos.” (2)

Neste estudo sobre o Altar íntimo também se aplica esta Lei. Podemos dizer que, do sacrifício de oferendas exteriores, passar ao sacrifício da oferenda de si mesmo. A autotransformação é a oferenda viva mais agradável a Deus.

Trazemos à reflexão, também, a Parábola do festim das bodas, quando Jesus disse que o reino dos céus se assemelhava a um rei que preparou uma grande festa para as bodas de seu filho. Para que os convidados pudessem participar dos festejos precisariam estar vestidos com a túnica nupcial. A interpretação desta parábola é a de que, para entrarmos no reino dos céus faz-se necessário estarmos vestidos com a túnica nupcial, isto é, termos purificado nossos corações e cumprirmos a leis divinas.

Diante desta parábola, podemos afirmar que o sacrifício de nossas imperfeições é a forma mais expressiva do vestirmo-nos com a veste nupcial para merecermos estar no festim oferecido pelo Pai Celestial.

Procurando algo a dizer sobre  a pureza do coração, encontrei um diálogo de Francisco de Assis com Frei Leão que pode nos parecer bem interessante para este estudo.

Começa assim a interlocução entre os dois:

Francisco pergunta a frei Leão: Irmão, sabe acaso o que é a pureza de coração?

Responde-lhe o frei: É não termos falta alguma de que nos acusemos.

Francisco acrescenta, percebendo a tristeza de frei Leão: porque temos sempre alguma coisa de que nos acusar.

Leão concorda.

Oferece então Francisco uma reflexão muito interessante a respeito do que deveria ser ter puro o coração.

Não dever preocupar-se tanto com a pureza da própria Alma e sim voltar o olhar para Deus. Ainda somos imperfeitos e é um sentimento humano compreensível, mas não deveríamos deixar que a distância que existe entre nós e Deus acarrete tristeza e insegurança.

Precisamos elevar o nosso olhar para mais alto.

O coração puro é aquele que toma profundo interesse pela própria vida em Deus.

Sugere esvaziar-se da insegurança e fragilidade interior e vibrar na alegria em Deus. Diante desse vazio ocorrido em nós, ao aceitarmos Deus, abrirmo-nos à Sua plenitude, é preenchido pela presença inefável do Pai e Criador.

Não devemos guardar o que nos pesa, inclusive as próprias falhas.

O nosso desejo de perfeição muda em um simples e puro querer de Deus. (3)

(1)       Fonte Viva, Emmanuel, por Chico Xavier

(2)       Do livro Evangelho é Amor II – Cap. “Sacrifício mais agradável a Deus, Elda Evelina, Bookess Editora.

(3)       Fonte de consulta – www.ofmscj.com.br/?p=2559

Em o livro Aprender com o Mestre – Sobre o Amor II, Elda Evelina, Bookess Editora

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