Posted by on set 13, 2016 in Palestras | 1 comment

Aprender com o Mestre - Ilustração msg site

Estudo oferecido em 13-09-2016  no Centro Espírita Luís Antônio (Lago Sul QI 27).

Áudio do estudo (mp3) – Fazer o bem sem ostentação

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Certa vez ouvi sobre um fato protagonizado por Francisco Cândido Xavier, uma de muitas outras histórias que contam a respeito desse grande personagem na jornada do espiritismo no Brasil.

Um grupo comandado pelo Chico preparava-se para levar algumas doações – alimento entre outras coisas – a uma família que estava passando grandes dificuldades.

Em chegando perto da casa onde iriam deixar os bens arrecadados, observaram grande movimento nas casas vizinhas. Chico, então, orientou seus companheiros a não entrarem pela porta da frente, deveriam dar a volta e bater à porta de trás. Alguém então perguntou-lhe por qual razão não entrariam por ali, pois seria mais cômodo e fácil.

Chico então respondeu, com o seu jeito simples e direto: Os vizinhos não precisam saber que nossos amigos estão em dificuldades, devemos ser discretos para não constrangê-los.

Com esta história singela gostaria de começar nossa reflexão sobre um assunto tão importante a que nem sempre damos muita atenção.

Diz-nos o Evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos de 1 a 4:

Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; (…)

Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, (…)

Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

(…) quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Neste mesmo contexto, logo após falar-nos a respeito do orar de forma reservada, que podemos interpretar como sendo em nosso coração, Jesus oferece-nos uma prece para conectarmo-nos com o Pai:

Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. [Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.]” (Mt 6 9:13)

Normalmente temos o costume de contarmos quando fazemos algo em favor de alguém. No entanto, em muitos desses momentos não estamos exatamente fazendo alarde do nosso feito. Estamos simplesmente registrando um fato. Será que até assim estaremos praticando a ostentação sobre nossa ação meritória? Ou mais exatamente, estaremos tendo mérito nessa atitude quando buscamos auxiliar um companheiro de jornada em dificuldade?

Diz-nos o dicionário quanto ao sentido da palavra ostentação:

“A ostentação (do latin “ostentare” que significa “mostrar”) é o ato ou efeito de exibir com vaidade e pompa, bens, direitos ou outra propriedade, normalmente fazendo referência à necessidade de mostrar luxo ou riqueza. O termo também pode contrair conotação positiva como por exemplo: apesar de franzino, o padre ostentava a fama de ser um grande ajudante da sociedade. A ostentação também está ligada ao apego aos bens materiais,o poder.

Como antônimo, pode-se citar discrição, humildade e simplicidade.” (Wikipedia)

Vale lembrar o alerta de Jesus quanto a fazer boas obras com ostentação ou, como está no Evangelho de Mateus: “como fazem os hipócritas (…), para serem glorificados pelos homens.” (Mt. 6:2) Agir com soberba, com orgulho e vaidade.

Precisamos estar atentos quanto ao modo como proceder ao querer sermos úteis a alguém ou apoiarmos alguma causa. Devemos ser discretos. Quando valorizarmos algo, que seja a necessidade de ajudar e não ao fato de estarmos prestando auxílio em favor de alguém. Mais ainda, lembrando a história contada no início deste estudo, termos o cuidado de não expor pessoas para não virmos a criar situações constrangedoras a quem queremos ajudar.

Por vezes não percebemos que ao divulgar nomes e contar histórias a respeito de alguém estaremos tornando públicos fatos que a própria pessoa está querendo manter em sigilo.

No afã de querermos ajudar, nós criamos situações que virão a levar problemas até mesmo sérios para a vida de alguém. Acabamos por exceder os limites do aceitável, vamos além do que deveríamos.

Nesses casos também estão presentes o orgulho e a vaidade, mesmo que vestidos em roupagem de uma ação pretensamente meritória de querer ajudar, resolver um problema para alguém.

Deveremos ser cuidadosos e estarmos atentos quando escolhemos realizar uma boa ação. Fazermos algumas reflexões como:

– Quando uma pessoa me conta algo ela quer ajuda ou simplesmente está expondo uma situação que ela mesma tem condições de resolver? Ou ainda, quer tão-somente uma sugestão ou está efetivamente pedindo uma ajuda material, ou até mesmo moral?

– Ao escolhermos ajudar, realizamos uma análise no sentido de saber como fazer isso?

– Estaremos indo além do razoável? Estaremos tentando demonstrar, de uma forma ostensiva, que somos bons, indo além do necessário?

– Nossa atitude em favor de outrem está baseada em sentimento de caridade, ou simplesmente prestando um favor ou oferecendo algo sem envolvimento fraternal, como que cumprindo uma obrigação ou desobrigando-nos de um encargo?

– Em suma, estamos buscando efetivamente auxiliar, ou o comportamento está fundamentado mais precisamente no nosso orgulho ou vaidade?

Por vezes questionamo-nos se devemos falar a respeito de algo que tenhamos feito em favor de alguém ou instituições, preocupados em sermos mal interpretados. Vale aqui refletir que nem sempre o informar a alguém uma ação de socorro e auxílio é vangloriar-se com soberba, com ostentação. Por vezes estamos tão-somente comentando um fato, até mesmo para buscar novos adeptos a um projeto que se nos parece importante e ao qual demos nosso voto de confiança e queremos intensificar essa ajuda.

Aqui um texto de Cárita (ESE Cap. XIII):

14. Várias maneiras há de fazer-se a caridade, que muitos dentre vós confundem com a esmola. Diferença grande vai, no entanto, de uma para outra. A esmola, meus amigos, é algumas vezes útil, porque dá alívio aos pobres; mas é quase sempre humilhante, tanto para o que a dá, como para o que a recebe. A caridade, ao contrário, liga o benfeitor ao beneficiado e se disfarça de tantos modos! Pode-se ser caridoso, mesmo com os parentes e com os amigos, sendo uns indulgentes para com os outros, perdoando-se mutuamente as fraquezas, cuidando não ferir o amor-próprio de ninguém. Vós, espíritas, podeis sê-lo na vossa maneira de proceder para com os que não pensam como vós, induzindo os menos esclarecidos a crer, mas sem os chocar, sem investir contra as suas convicções e, sim, atraindo-os amavelmente às nossas reuniões, onde poderão ouvir-nos e onde saberemos descobrir nos seus corações a brecha para neles penetrarmos. Eis aí um dos aspectos da caridade.

Aqui uma história contada por um Espírito Protetor (ESE Cap. XIII):

15. Dois homens acabavam de morrer. Deus havia dito: “Enquanto esses dois homens viverem, serão postas as suas boas ações num saco para cada um, e quando morrerem, serão pesados esses sacos”. Quando ambos chegaram à sua última hora. Deus mandou que lhe levassem os dois sacos. Um estava cheio, volumoso, estufado, e retinia o metal dentro dele. O outro era tão pequeno e fino, que se viam através do pano as poucas moedas que continha. Cada um dos homens reconheceu o que lhe pertencia: “Eis o meu, — disse o primeiro — eu o conheço; fui rico e distribui bastante!” O outro: “Eis o meu. Fui sempre pobre, ah! Não tinha quase nada para distribuir”. Mas, ó surpresa: postos na balança, o maior tornou-se leve e o pequeno se fez pesado, tanto que elevou muito o outro prato da balança. Então, Deus disse ao rico: “Deste muito, é verdade, mas o fizeste por ostentação, e para ver o teu nome figurando em todos os templos do orgulho. Além disso, ao dar, não te privaste de nada. Passa à esquerda e fica satisfeito, por te ser contada a esmola como alguma coisa”. Depois, disse ao pobre: “Deste bem pouco, meu amigo, mas cada uma das moedas que estão na balança representou uma privação para ti. Se não distribuíste a esmola, fizeste a caridade, e o melhor é que a fizeste naturalmente, sem te preocupares de que a levassem à tua conta. Foste indulgente; não julgaste o teu semelhante; pelo contrário, encontraste desculpas para todas as suas ações. Passa à direita, e vai receber a tua recompensa.

Diz-nos Emmanuel em o livro Viajor, por ChicoXavier:

Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente. É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, por que, onde estiver o Espírito do Senhor aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro.

Querer fazer o bem é estar pronto para o exercício da Caridade:

– para consigo mesmo, para com o próximo, para com todos os seres, a Natureza, o mundo em que vivemos. Estarmos conscientes de que todos somos um só, independente de estarmos vivenciando experiências em lugares distintos, em cidades diferentes, em outro país, não obstante estarmos no mesmo mundo, no mesmo Universo.

É louvável quando prestamos auxílio buscando deixar a impressão de sermos nós a estarmos gratos pela oportunidade que se apresentou para sermos úteis.

Reflexão sobre a Caridade

Muitos de nós creem que caridade é oferecer algo material a quem esteja precisando.

Alguns pensam que sentir necessidades é não ter coisas, bens, alimento para o corpo.

Outros, no entanto, começam a ter consciência de que ser caridoso é perceber as carências daqueles com quem convivemos, em suas diversas formas de expressão.

Há aqueles que já sentem em si mesmos algo que vai além do precisar e do oferecer aquilo que podemos tocar e perceber com os cinco sentidos do nosso ser.

A partir deste momento, os que alcançaram uma certa consciência do que seja caridade, sentirão uma força interior que os remeterá não simplesmente a doar, mas principalmente ao doar-se. Estes perceberão que as necessidades mais prementes, pelas quais passa a quase totalidade da humanidade, estão na carência do acolhimento fraterno, no aconchego de um abraço amigo, na valorização do Ser como um bem maior, no reconhecimento de que, antes de estarmos aqui como uma Alma em exercício do aprendizado e buscando seu crescimento moral, somos um Espírito eterno que necessita de fazer contato com o amor como instrumento de sua profunda transformação.

Do livro Aprender com o Mestre – Sobre o Amor, Elda Evelina, Bookess Editora

One Comment

  1. 12-1-2017

    Agradeço pela interpretação e vou compartilhar.

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